Nos dias de hoje, uma das principais causas de consulta com um médico angiologista ou cirurgião vascular é a doença venosa crônica. Aproximadamente 2/3 da população brasileira apresenta varizes de membros inferiores, sendo esta a principal manifestação da doença venosa. Diversos sintomas podem estar associados, como a dor com característica de peso em pernas, o inchaço nos pés e tornozelos, dormência nos pés, cãibras e formigamentos nas panturrilhas, dentre outros. Além disso, outra causa que leva os pacientes a procurarem um angiologista é o aspecto estético das varizes, causador de grande desconforto visual em quem as possui. Para o tratamento de varizes em consultório de angiologia , diversos métodos foram desenvolvidos ao longo de mais de um século, sendo a escleroterapia – conhecida como aplicação para varizes – o método mais difundido e realizado. Na escleroterapia, o médico angiologista ou o cirurgião vascular realizam a injeção de medicações com o objetivo de causar irritação local no interior das pequenas varizes (vasinhos), e promover com isso a sua destruição. Apesar da boa eficácia deste método para o tratamento de micro varizes, existe uma limitação para o tratamento de veias maiores, já que as medicações utilizadas não possuem potência suficiente para destruí-las.
A escleroterapia com espuma densa foi criada com objetivo de aumentar a potencia da solução injetada nas varizes, e com isso, aumentar a eficácia no tratamento de veias mais grossas. Já utilizado há muito tempo na Europa, o tratamento de varizes com espuma consiste no uso de uma substância chamada Polidocanol, misturado com ar ambiente ou com gás fisiológico (mistura pré-fabricada de O2 e CO2), criando uma solução formada por microbolhas contendo o polidocanol na sua composição. Isso promove um aumento na área de contato do Polidocanol com o interior das veias tratadas, aumentando a eficácia e permitindo também o tratamento de varizes de grosso calibre. As sessões são realizadas em consultório, com o auxílio de aparelhos de ultrassonografia, sendo necessário acompanhamento regular dos pacientes, já que no decorrer do tratamento podem haver flebites (inflamação das veias, especialmente mais grossas), e necessidade de drenagem das mesmas para melhor resultado, sendo a eliminação das varizes nos membros inferiores o objetivo final. Além da flebite, podem ocorrer também pigmentações da pele nas áreas que receberam o tratamento, sendo a frequência variável de acordo com alguns fatores: tipo de pele, concentração do polidocanol na solução com espuma e profundidade das varizes em relação a pele. Apesar de todas essas variáveis, o percentual de pacientes com pigmentação é de até 20% dos casos, sendo que a grande maioria regride com melhora espontânea em até 1 ano após o tratamento. Outra limitação ao tratamento com espuma é para pacientes com história de alergia ao polidocanol, enxaqueca ou com alterações cardíacas estruturais. Nesses casos o tratamento com espuma é contraindicado, devendo-se buscar outras opções terapêuticas.
Desta forma, observamos que o tratamento de varizes com espuma é uma boa opção de tratamento para pacientes com varizes grossas, com feridas associadas (úlcera venosa), e que possuem limitação à internação hospitalar e/ou ao tratamento cirúrgico convencional, já que todo o tratamento é realizado em consultório. Apesar do grande benefício aos pacientes, devemos nos recordar da possibilidade de pigmentações e das flebites, o que exige sempre um acompanhamento frequente por parte do médico angiologista ou cirurgião vascular.